Extra #1 – COVID-19

A rápida disseminação do Coronavírus (COVID-19) está levando os mercados à situação de altíssimo stress. O Ibovespa medido em dólares americanos, por exemplo, está próximo ao nível do auge da crise financeira de 2008.

Entendemos que a incerteza no mercado acionário poderá se estender até o fim do primeiro semestre: com base na experiência chinesa, nossa melhor estimativa hoje é que serão necessários dois meses para controlar a pandemia do Coronavírus nos diversos novos focos da doença.

As estratégias mais eficazes até o momento para o combate à difusão do Coronavírus foram a quarentena, distanciamento social e isolamento das pessoas infectadas1, que trazem consigo importantes mudanças nos hábitos de consumo que diferem por empresa e por setor.

Em função desta mudança de cenário, fizemos esta semana algumas mudanças relevantes em nosso portfólio:

  • Reduzimos a exposição às empresas que podem ser significativamente impactadas por um cenário de forte contração de consumo;
  • Aumentamos a exposição a empresas defensivas, como por exemplo as que pagam bons dividendos e que têm demanda estável, e como as dos setores de saneamento e elétrico;
  • Estamos vendidos em ações de empresas que poderão ter perda significativa de valor caso a pandemia seja mais intensa ou dure mais do que estimamos hoje.

 

Tais mudanças seguiram nosso processo de investimento calcado em 3 etapas bem definidas, i) filtro quantitativo, ii) análise fundamentalista e iii) sizing com base em cenários de stress. Esse processo permanece como “core” da estratégia da casa e não alteraremos seus princípios.

Acreditamos que esta crise, como tantas outras, também passará. A velocidade de recuperação da economia dependerá, contudo, de fatores que não são de controle de gestores, como por exemplo: estímulos monetários e fiscais das principais economias do mundo, o tempo necessário para controlar a pandemia e medidas de apoio aos setores econômicos que serão impactados por redução de demanda.

Em nosso cenário base teremos um segundo semestre com retomada de crescimento, taxas de juros mais baixas em todo o mundo e estímulos em diversos países, com destaque para a China que recentemente aprovou investimentos totalizando mais de US$3 trilhões2.

Estamos posicionados para este cenário de recuperação e com os ajustes feitos esta semana acreditamos ter acrescentado ao portfólio um grau de proteção importante caso a crise dure mais que o esperado, ou caso o impacto do isolamento nas empresas exceda nossas expectativas.

1 Anderson, Roy et al., How will country-based mitigation measures influence the course of the COVID-19 epidemic?, acessado no dia 12 de março de 2020.
2 Alpine Macro